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Pesquisadores do campus apresentam projeto em Cabo Verde

Projeto “Pés no chão e olhos no céu: Astronomia Cultural de Povos Indígenas Brasileiros”  foi apresentando na 4ª Conferência de Física dos Países de Língua Portuguesa, que ocorreu de 12 a 16 de setembro na Cidade da Praia, em Cabo Verde, na África.
  • Assessoria de Comunicação
  • publicado 19/09/2022 10h52
  • última modificação 19/09/2022 10h52

Um grupo formado por professores e estudantes do IFMA Campus Imperatriz apresentou, na 4ª Conferência de Física dos Países de Língua Portuguesa, o projeto “Pés no chão e olhos no céu: Astronomia Cultural de Povos Indígenas Brasileiros”. O evento foi realizado de 12 a 16 de setembro na Cidade da Praia, em Cabo Verde, na África.

A apresentação dos pesquisadores do IFMA ocorreu no dia 16. O projeto, apresentado na categoria pôster do evento, é desenvolvido pelos professores Maria José Ribeiro de Sá e Rivelino Cunha Vilela e pelos alunos Eva da Silva Barbosa e Pablo Vinicius Mendes de Sousa, do Curso de Licenciatura em Física. Usando o método de revisão bibliográfica, a pesquisa busca reunir relatos sobre a variedade de modos como diferentes povos indígenas brasileiros percebem os objetos celestes e os integram às suas práticas sociais.

Segundo explicam os pesquisadores, uma diversidade muito grande de etnias na América Latina, em especial no Brasil, determinam um conjunto de possibilidades de ver, descrever e sistematizar o entendimento do cosmos. Esses conhecimentos, de acordo com os estudiosos, têm implicações diretas nas culturas desses povos, pois ainda que estejam separados por longas distâncias, suas observações acerca do céu se assemelham na maneira de visualizar e atribuir sentidos/significados para os fenômenos. Por isso, o estudo das observações celestes registradas pelos povos indígenas se mostra relevante para a melhor compreensão acerca das relações céu-terra e suas implicações. Entretanto, esse conhecimento, conforme atestam os pesquisadores do IFMA, tem pouco espaço no meio acadêmico e vem se perdendo ao longo dos anos, pois, geralmente não são estudados, ora devido à desvalorização desses saberes no setor de ensino, ora devido à globalização.

Apesar disso, os estudiosos dessas etnias observam que, antes mesmo de existir uma série de famosas concepções científicas modernas, dentro do Brasil já existiam formulações feitas por etnias indígenas a respeito de tais leis da natureza. Segundo eles, as experiências e os saberes indígenas consideram o todo do universo e, ao mesmo tempo, inserem o ser humano em uma complexa rede de relações que envolvem os seres, sejam eles naturais ou sobrenaturais, integrando a vida como um todo.

No que diz respeito ao modo como os grupos indígenas estudados pelos professores e alunos do IFMA incorporam as relações entre os fenômenos celestes aos acontecimentos que se dão na superfície terrestre, os pesquisadores observam que essa ligação norteia o modo de viver desses povos, à medida que utilizam dessas observações para, por exemplo, prever períodos de seca e estiagem ou para saber as doze épocas em que as marés estão altas ou baixas.

No mês de junho deste ano, por exemplo, o grupo de pesquisadores do IFMA foi à terra indígena Arariboia, na aldeia Juçaral, para realizar um momento de diálogo expondo os dados catalogados sobre as Constelações Indígenas Brasileiras, bem como de observação dessas constelações a olho nu. Foram identificadas, entre elas, a constelação da “Ema”; do “Homem Velho”; da “Anta do Norte”; do “Veado”; e do “Caminho da Cruz”.

A equipe do projeto também destaca, no estudo, ser necessário que haja uma mudança de postura por parte de universidades para que seja dada a devida importância a desses saberes. Para os pesquisadores do IFMA, é preciso olhar os céus e lê-lo sob uma perspectiva dos povos originários, observar suas constelações e compreender o valor sociocultural, socioambiental de tais conhecimentos.

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